Feira Nacional da Agricultura - O Portugal Rural em Santarém

Junho 6, 2026

A Feira Nacional da Agricultura (FNA) não é apenas um evento no calendário português. Ela é, por excelência, a maior montra do mundo rural, onde a tradição e a inovação se cruzam no Ribatejo.

Todos os anos, o Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas (CNEMA), em Santarém, transforma-se. A cidade Capital do Ribatejo passa a ser também a capital económica e cultural do país profundo.

Neste artigo, vamos viajar pela história, pela cultura e pelo impacto económico desta feira única. Descubra como um certame secular se converteu num motor de modernização e identidade nacional.

1. As Origens Históricas: Da Feira de São Simão ao CNEMA

Para compreender a Feira Nacional da Agricultura, é preciso recuar no tempo. A sua génese está profundamente ligada às antigas feiras francas e de gado que pontuavam o Portugal medieval e moderno.

Santarém, devido à sua localização estratégica junto ao rio Tejo, sempre foi um ponto de encontro natural. Agricultores, produtores e mercadores de todo o país convergiam aqui para negociar.

O Marco de 1954: A Primeira Feira do Ribatejo

O formato moderno do evento começou a desenhar-se em 1954. Foi nesse ano que se realizou a primeira Feira do Ribatejo, uma iniciativa que visava celebrar a identidade regional.

O sucesso foi tão estrondoso que o certame rapidamente ultrapassou as fronteiras da província. O país percebeu que precisava de um espaço central para debater e expor o setor primário.

A Elevação a Feira Nacional da Agricultura

Em 1964, dez anos após a sua fundação, o evento recebeu o estatuto oficial de Feira Nacional da Agricultura. Esta mudança de escala exigiu novas dinâmicas e uma ambição renovada.

A feira deixou de ser apenas uma festa popular ribatejana. Passou a ser o palco principal das políticas agrícolas e da exibição de gado de raças autóctones de todo o território nacional.

A Mudança para o CNEMA em 1994

Durante décadas, a feira realizou-se no emblemático Campo de Feiras, no planalto da cidade, junto ao centro histórico. Contudo, o crescimento exponencial do número de visitantes e expositores exigiu uma mudança.

Em 1994, inaugurou-se o CNEMA. Este complexo moderno, com pavilhões cobertos e uma vasta área ao ar livre, permitiu profissionalizar o evento e acolher maquinaria de grande porte.

2. Cultura e Tradição: A Identidade Ribatejana em Destaque

A FNA é um ecossistema vivo onde a cultura popular portuguesa se manifesta com toda a sua força. O Ribatejo, com a sua planície de lezíria, dita o tom festivo do certame.

Os cavalos, os toiros e a figura mítica do campino são os pilares invisíveis que sustentam a alma desta feira. Sem eles, o evento perderia a sua autenticidade.

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|                     PILARESCULTURAIS DA FNA                       |
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|       O CAMPINO       |     O CAVALO      |        O TOIRO        |
|  Guardião da lezíria  |  Puro Sangue      |  Símbolo de força     |
|   e das tradições.    |  Lusitano em alta.|  e bravura no campo.  |
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O Campino: O Guardião da Lezíria

O campino é a figura central das festividades. Vestido a rigor — com o seu colete encarnado, jaqueta azul, barrete verde e a pampilho na mão —, ele representa a resiliência do homem do campo.

Na feira, as homenagens ao campino são constantes. Os desfiles etnográficos pelas ruas de Santarém e dentro do recinto atraem milhares de olhares curiosos e emocionados.

O Cavalo Puro Sangue Lusitano

O cavalo de sela mais antigo do mundo tem um lugar de honra na feira. A FNA acolhe concursos de modelo e andamentos, exibições de Alta Escola e competições de Equitação de Trabalho.

Para os criadores nacionais e compradores internacionais, este é o momento ideal para avaliar o estado da arte da criação equestre em Portugal.

As Largadas de Toiros e a Festa Brava

A cultura tauromáquica e as atividades ligadas à bravura do toiro marcam o programa lúdico. As largadas de toiros nas mangas do recinto atraem os mais jovens e os mais audazes.

Além disso, a tradicional corrida de toiros na Monumental Celestino Graça, situada perto do centro da cidade, coincide frequentemente com o período da feira, arrastando multidões.

3. Gastronomia: Os Sabores do Portugal Profundo

Não se pode falar da Feira Nacional da Agricultura sem mensionar a sua vertente gastronómica. Comer na feira é um ritual obrigatório para qualquer visitante.

Os pavilhões dedicados à restauração e às tasquinhas regionais oferecem uma viagem sensorial de Norte a Sul do país, com especial enfoque na rica gastronomia ribatejana.

Pratos Típicos que Tem de Provar

  • Sopa da Pedra: Originária de Almeirim, mesmo ao lado de Santarém, é uma sopa rica que leva feijão, carnes de porco e enchidos.
  • Torricado com Bacalhau: O pão caseiro torrado nas brasas, untado com alho e azeite, acompanhado por bacalhau assado.
  • Carne de Toiro Bravo: Servida em estufados ou bifanas, é uma carne com um sabor intenso e muito característico.
  • Melão da Lezíria: Doce e sumarento, serve frequentemente de sobremesa ideal para os dias quentes de junho.

Os Vinhos do Tejo e de Outras Regiões

Portugal é um país de grandes vinhos, e a FNA dedica um espaço considerável à vitivinicultura. Os Vinhos do Tejo, com os seus brancos frescos e tintos encorpados, jogam em casa.

Contudo, pequenos e grandes produtores do Douro, Alentejo, Dão e Vinhos Verdes marcam presença regular, promovendo provas comentadas e lançamentos de novas colheitas.

4. O Impacto Económico e o Setor Profissional

Embora a festa atraia o grande público, a Feira Nacional da Agricultura é, fundamentalmente, um centro de negócios de enorme relevância para o Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

O setor agrícola português utiliza este certame como o seu principal barómetro anual. Aqui analisam-se tendências, fecham-se contratos e exibem-se as últimas tecnologias.

Maquinaria Agrícola e Inovação

A zona exterior do CNEMA fica anualmente repleta de tratores de última geração, alfaias agrícolas e sistemas de rega automatizados. A transição digital já chegou ao campo.

Hoje em dia, a feira dá grande destaque a drones de monitorização de culturas, sensores de solo inteligentes e softwares de gestão agrícola de precisão.

Seminários e Conferências: O Debate Político

Durante os dias úteis da feira, as salas de conferências do CNEMA enchem-se de especialistas, decisores políticos e agricultores. Os "Dias do Debate" abordam temas críticos.

"A Feira Nacional da Agricultura é o termómetro do mundo rural. É aqui que se discutem os fundos europeus, a gestão da água e o futuro da sustentabilidade alimentar."

Temas como a Política Agrícola Comum (PAC), as alterações climáticas, a escassez de água no Sul do país e a renovação geracional estão sempre no topo da agenda.

5. Salão Prazer de Comer e os Concursos Nacionais

Uma das áreas mais visitadas e bem-sucedidas da feira é o Salão Prazer de Comer. Este espaço foca-se na promoção dos produtos agroalimentares de qualidade superior.

Associados a este salão, realizam-se os prestigiados Concursos Nacionais de Produtos Tradicionais Portugueses, organizados em parceria com a Qualifica/OriGIn Portugal.

Categorias de Concursos Nacionais

  1. Azeites Virgem Extra: Escolha dos melhores azeites das várias regiões demarcadas do país.
  2. Queijos Tradicionais: Desde o queijo da Serra da Estrela ao queijo de Serpa.
  3. Enchidos e Presuntos: Valorização da charcutaria tradicional portuguesa e das raças autóctones como o Porco Alentejano.
  4. Doçaria Tradicional e Mel: Preservação das receitas conventuais e regionais.

Os produtos premiados ganham o direito de exibir um selo de medalha de ouro, prata ou bronze na sua rotulagem, o que impulsiona significativamente as suas vendas no mercado.

6. A Pecuária e as Raças Autóctones

A preservação do património genético animal de Portugal é outra das grandes bandeiras da FNA. Os pavilhões pecuários são um ponto de paragem obrigatório, especialmente para as famílias.

Ali podem ver-se exemplares magníficos de bovinos, ovinos, caprinos e suínos que fazem parte da história económica das várias regiões do país.

Raças Bovinas em Destaque

  • Raça Mertolenga: Adaptada às condições difíceis do Alentejo, muito elogiada pela sua rusticidade.
  • Raça Barrosã: Com as suas hastes imponentes, típica do Norte de Portugal.
  • Raça Marinhoa: Tradicional da região de Aveiro, historicamente ligada ao trabalho na ria.
  • Raça Alentejana: Grande porte e carne de excelência.

A presença destes animais na feira sensibiliza o público para a importância de consumir produtos de raças locais, ajudando a fixar populações no interior do país.

7. Animação Noturna: Os Grandes Concertos

Quando o sol se põe na planície ribatejana, a Feira Nacional da Agricultura transforma-se. O foco passa da vertente profissional para o entretenimento puro.

Os grandes concertos no palco principal atraem dezenas de milhares de jovens e famílias vindos de todos os cantos do país, dinamizando a hotelaria de toda a região.

Música para Todos os Gostos

O cartaz musical da feira aposta forte nos maiores nomes da música portuguesa atual. Pelo palco do CNEMA passam géneros que vão do rock à pop, passando pela música popular e pelo fado.

Artistas de renome nacional garantem noites memoráveis, estendendo a festa até de madrugada, com a ajuda de DJs locais e nacionais que animam os palcos secundários.

8. Sustentabilidade e o Futuro da Agricultura em Portugal

Olhar para a Feira Nacional da Agricultura é também olhar para o futuro do planeta. O setor primário enfrenta o desafio hercúleo de produzir mais alimentos com menos recursos.

A FNA tem servido de montra para soluções ecológicas. A agricultura biológica, a produção integrada e a economia circular ganham cada vez mais espaço nos pavilhões de exposição.

A Gestão Eficiente da Água

Sendo Santarém uma região que sofre diretamente com a irregularidade das dotações hídricas, a eficiência da água é um tema transversal.

Empresas de tecnologia apresentam na feira sistemas de rega gota-a-gota inteligentes que reduzem o consumo de água e energia, garantindo a viabilidade das culturas em anos secos.

9. Como Visitar a Feira: Guia Prático para o Visitante

Se está a planear visitar a Feira Nacional da Agricultura, existem alguns aspetos práticos que deve ter em consideração para aproveitar a experiência ao máximo.

O evento decorre habitualmente no início do mês de junho, aproveitando o feriado nacional do dia 10 de junho para maximizar a afluência de público.

Localização e Acessos

O CNEMA situa-se na periferia de Santarém, com excelentes acessos rodoviários através da A1 (Autoestrada do Norte) e da A15.

Meio de TransporteComo ChegarObservações
CarroA1 / A15 -> Saída SantarémO CNEMA dispõe de parques de estacionamento amplos, embora fiquem lotados ao fim de semana.
ComboioLinha do Norte (Estação de Santarém)Durante os dias da feira, costuma haver autocarros vaivém (shuttles) entre a estação e o recinto.
AutocarroTerminal Rodoviário de SantarémLigações diretas de várias capitais de distrito.

Conselhos Úteis para a Visita

  • Calçado Confortável: O recinto é enorme. Prepare-se para caminhar bastante entre pavilhões e zonas exteriores.
  • Proteção Solar: O calor de junho em Santarém pode ser abrasador. Use chapéu, óculos de sol e protetor solar.
  • Horários de Menor Afluência: Se prefere ver as exposições e a maquinaria com calma, opte por visitar o certame nos dias úteis durante o período da manhã.

10. Conclusão: Por que a FNA é Imperdível?

A Feira Nacional da Agricultura é muito mais do que uma soma de expositores, concertos e gastronomia. Ela é o espelho da resiliência e do orgulho do Portugal rural.

Ao longo das suas décadas de existência, soube evoluir de uma modesta feira regional para um evento de dimensão internacional, sem nunca perder o seu ADN ribatejano.

Visitar a FNA é compreender o esforço que está por trás de cada alimento que nos chega à mesa. É celebrar a cultura, aplaudir a tradição e abraçar o futuro tecnológico do nosso país.

Se quer sentir o verdadeiro pulsar de Portugal, o ponto de encontro é em Santarém, nas planícies do Ribatejo, onde o campo se faz festa e o futuro se cultiva todos os dias.

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