
A Feira Nacional da Agricultura (FNA) não é apenas um evento no calendário português. Ela é, por excelência, a maior montra do mundo rural, onde a tradição e a inovação se cruzam no Ribatejo.
Todos os anos, o Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas (CNEMA), em Santarém, transforma-se. A cidade Capital do Ribatejo passa a ser também a capital económica e cultural do país profundo.
Neste artigo, vamos viajar pela história, pela cultura e pelo impacto económico desta feira única. Descubra como um certame secular se converteu num motor de modernização e identidade nacional.
Para compreender a Feira Nacional da Agricultura, é preciso recuar no tempo. A sua génese está profundamente ligada às antigas feiras francas e de gado que pontuavam o Portugal medieval e moderno.
Santarém, devido à sua localização estratégica junto ao rio Tejo, sempre foi um ponto de encontro natural. Agricultores, produtores e mercadores de todo o país convergiam aqui para negociar.
O formato moderno do evento começou a desenhar-se em 1954. Foi nesse ano que se realizou a primeira Feira do Ribatejo, uma iniciativa que visava celebrar a identidade regional.
O sucesso foi tão estrondoso que o certame rapidamente ultrapassou as fronteiras da província. O país percebeu que precisava de um espaço central para debater e expor o setor primário.
Em 1964, dez anos após a sua fundação, o evento recebeu o estatuto oficial de Feira Nacional da Agricultura. Esta mudança de escala exigiu novas dinâmicas e uma ambição renovada.
A feira deixou de ser apenas uma festa popular ribatejana. Passou a ser o palco principal das políticas agrícolas e da exibição de gado de raças autóctones de todo o território nacional.
Durante décadas, a feira realizou-se no emblemático Campo de Feiras, no planalto da cidade, junto ao centro histórico. Contudo, o crescimento exponencial do número de visitantes e expositores exigiu uma mudança.
Em 1994, inaugurou-se o CNEMA. Este complexo moderno, com pavilhões cobertos e uma vasta área ao ar livre, permitiu profissionalizar o evento e acolher maquinaria de grande porte.
A FNA é um ecossistema vivo onde a cultura popular portuguesa se manifesta com toda a sua força. O Ribatejo, com a sua planície de lezíria, dita o tom festivo do certame.
Os cavalos, os toiros e a figura mítica do campino são os pilares invisíveis que sustentam a alma desta feira. Sem eles, o evento perderia a sua autenticidade.
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| PILARESCULTURAIS DA FNA |
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| O CAMPINO | O CAVALO | O TOIRO |
| Guardião da lezíria | Puro Sangue | Símbolo de força |
| e das tradições. | Lusitano em alta.| e bravura no campo. |
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O campino é a figura central das festividades. Vestido a rigor — com o seu colete encarnado, jaqueta azul, barrete verde e a pampilho na mão —, ele representa a resiliência do homem do campo.
Na feira, as homenagens ao campino são constantes. Os desfiles etnográficos pelas ruas de Santarém e dentro do recinto atraem milhares de olhares curiosos e emocionados.
O cavalo de sela mais antigo do mundo tem um lugar de honra na feira. A FNA acolhe concursos de modelo e andamentos, exibições de Alta Escola e competições de Equitação de Trabalho.
Para os criadores nacionais e compradores internacionais, este é o momento ideal para avaliar o estado da arte da criação equestre em Portugal.
A cultura tauromáquica e as atividades ligadas à bravura do toiro marcam o programa lúdico. As largadas de toiros nas mangas do recinto atraem os mais jovens e os mais audazes.
Além disso, a tradicional corrida de toiros na Monumental Celestino Graça, situada perto do centro da cidade, coincide frequentemente com o período da feira, arrastando multidões.
Não se pode falar da Feira Nacional da Agricultura sem mensionar a sua vertente gastronómica. Comer na feira é um ritual obrigatório para qualquer visitante.
Os pavilhões dedicados à restauração e às tasquinhas regionais oferecem uma viagem sensorial de Norte a Sul do país, com especial enfoque na rica gastronomia ribatejana.
Portugal é um país de grandes vinhos, e a FNA dedica um espaço considerável à vitivinicultura. Os Vinhos do Tejo, com os seus brancos frescos e tintos encorpados, jogam em casa.
Contudo, pequenos e grandes produtores do Douro, Alentejo, Dão e Vinhos Verdes marcam presença regular, promovendo provas comentadas e lançamentos de novas colheitas.
Embora a festa atraia o grande público, a Feira Nacional da Agricultura é, fundamentalmente, um centro de negócios de enorme relevância para o Produto Interno Bruto (PIB) nacional.
O setor agrícola português utiliza este certame como o seu principal barómetro anual. Aqui analisam-se tendências, fecham-se contratos e exibem-se as últimas tecnologias.
A zona exterior do CNEMA fica anualmente repleta de tratores de última geração, alfaias agrícolas e sistemas de rega automatizados. A transição digital já chegou ao campo.
Hoje em dia, a feira dá grande destaque a drones de monitorização de culturas, sensores de solo inteligentes e softwares de gestão agrícola de precisão.
Durante os dias úteis da feira, as salas de conferências do CNEMA enchem-se de especialistas, decisores políticos e agricultores. Os "Dias do Debate" abordam temas críticos.
"A Feira Nacional da Agricultura é o termómetro do mundo rural. É aqui que se discutem os fundos europeus, a gestão da água e o futuro da sustentabilidade alimentar."
Temas como a Política Agrícola Comum (PAC), as alterações climáticas, a escassez de água no Sul do país e a renovação geracional estão sempre no topo da agenda.
Uma das áreas mais visitadas e bem-sucedidas da feira é o Salão Prazer de Comer. Este espaço foca-se na promoção dos produtos agroalimentares de qualidade superior.
Associados a este salão, realizam-se os prestigiados Concursos Nacionais de Produtos Tradicionais Portugueses, organizados em parceria com a Qualifica/OriGIn Portugal.
Os produtos premiados ganham o direito de exibir um selo de medalha de ouro, prata ou bronze na sua rotulagem, o que impulsiona significativamente as suas vendas no mercado.
A preservação do património genético animal de Portugal é outra das grandes bandeiras da FNA. Os pavilhões pecuários são um ponto de paragem obrigatório, especialmente para as famílias.
Ali podem ver-se exemplares magníficos de bovinos, ovinos, caprinos e suínos que fazem parte da história económica das várias regiões do país.
A presença destes animais na feira sensibiliza o público para a importância de consumir produtos de raças locais, ajudando a fixar populações no interior do país.
Quando o sol se põe na planície ribatejana, a Feira Nacional da Agricultura transforma-se. O foco passa da vertente profissional para o entretenimento puro.
Os grandes concertos no palco principal atraem dezenas de milhares de jovens e famílias vindos de todos os cantos do país, dinamizando a hotelaria de toda a região.
O cartaz musical da feira aposta forte nos maiores nomes da música portuguesa atual. Pelo palco do CNEMA passam géneros que vão do rock à pop, passando pela música popular e pelo fado.
Artistas de renome nacional garantem noites memoráveis, estendendo a festa até de madrugada, com a ajuda de DJs locais e nacionais que animam os palcos secundários.
Olhar para a Feira Nacional da Agricultura é também olhar para o futuro do planeta. O setor primário enfrenta o desafio hercúleo de produzir mais alimentos com menos recursos.
A FNA tem servido de montra para soluções ecológicas. A agricultura biológica, a produção integrada e a economia circular ganham cada vez mais espaço nos pavilhões de exposição.
Sendo Santarém uma região que sofre diretamente com a irregularidade das dotações hídricas, a eficiência da água é um tema transversal.
Empresas de tecnologia apresentam na feira sistemas de rega gota-a-gota inteligentes que reduzem o consumo de água e energia, garantindo a viabilidade das culturas em anos secos.
Se está a planear visitar a Feira Nacional da Agricultura, existem alguns aspetos práticos que deve ter em consideração para aproveitar a experiência ao máximo.
O evento decorre habitualmente no início do mês de junho, aproveitando o feriado nacional do dia 10 de junho para maximizar a afluência de público.
O CNEMA situa-se na periferia de Santarém, com excelentes acessos rodoviários através da A1 (Autoestrada do Norte) e da A15.
| Meio de Transporte | Como Chegar | Observações |
| Carro | A1 / A15 -> Saída Santarém | O CNEMA dispõe de parques de estacionamento amplos, embora fiquem lotados ao fim de semana. |
| Comboio | Linha do Norte (Estação de Santarém) | Durante os dias da feira, costuma haver autocarros vaivém (shuttles) entre a estação e o recinto. |
| Autocarro | Terminal Rodoviário de Santarém | Ligações diretas de várias capitais de distrito. |
A Feira Nacional da Agricultura é muito mais do que uma soma de expositores, concertos e gastronomia. Ela é o espelho da resiliência e do orgulho do Portugal rural.
Ao longo das suas décadas de existência, soube evoluir de uma modesta feira regional para um evento de dimensão internacional, sem nunca perder o seu ADN ribatejano.
Visitar a FNA é compreender o esforço que está por trás de cada alimento que nos chega à mesa. É celebrar a cultura, aplaudir a tradição e abraçar o futuro tecnológico do nosso país.
Se quer sentir o verdadeiro pulsar de Portugal, o ponto de encontro é em Santarém, nas planícies do Ribatejo, onde o campo se faz festa e o futuro se cultiva todos os dias.