
Imagem: Miradouro do Suberco - por José Luis Filpo Cabana, CC BY 3.0, via Wikimedia Commons
Nazaré é uma das localidades mais conhecidas da costa portuguesa e um dos destinos mais interessantes para incluir numa viagem pelo Centro de Portugal.
A imagem da vila está inevitavelmente ligada ao mar: a grande praia em forma de meia-lua, os barcos de pesca, as peixeiras com os seus trajes tradicionais e, mais recentemente, as enormes ondas da Praia do Norte tornaram Nazaré conhecida em todo o mundo.
Mas a Nazaré é muito mais do que surf.
Entre a praia e o Sítio encontramos uma vila com uma forte identidade piscatória, património religioso, miradouros, gastronomia, tradições e uma paisagem costeira extraordinária.
O Sítio da Nazaré, no alto do promontório, é um dos grandes pontos de visita, enquanto a Praia do Norte se tornou uma referência mundial das ondas gigantes graças às características do Canhão da Nazaré.
Neste guia encontra os principais lugares para visitar, o que fazer em Nazaré, onde apreciar as melhores vistas, como organizar a visita e que outros destinos pode combinar com a vila.
Entre os principais pontos de interesse encontram-se:
A melhor forma de conhecer Nazaré é combinar a zona da praia com o Sítio e reservar algum tempo para explorar os arredores.
A praia é o coração da vila.
O longo areal em forma de meia-lua acompanha a frente urbana e é uma das imagens mais características do litoral português.
As tradicionais barracas de praia, o paredão, os restaurantes e a ligação histórica à pesca fazem desta uma praia diferente de muitas outras da costa portuguesa.
A Nazaré mantém uma forte tradição piscatória e ainda é possível encontrar referências à actividade da pesca e ao tradicional traje das mulheres nazarenas.
A praia é também procurada para surf e bodyboard, embora as condições do mar devam ser sempre respeitadas.
Se visitar Nazaré no final do dia, o paredão é um excelente local para assistir ao pôr do sol.
Subir ao Sítio é provavelmente a experiência mais importante numa primeira visita a Nazaré.
O promontório ergue-se sobre a praia e oferece uma das panorâmicas costeiras mais impressionantes de Portugal.
É possível chegar ao Sítio a pé ou utilizar o famoso Ascensor da Nazaré, que liga a zona da praia ao ponto mais elevado da vila.
O ascensor tem mais de um século de história e tornou-se também uma das imagens características da Nazaré.
Para quem visita pela primeira vez, recomendamos subir pelo ascensor e depois explorar o Sítio a pé.
No Sítio encontra-se o Miradouro do Suberco, um dos melhores locais para observar a Nazaré.
Daqui é possível ver praticamente toda a praia, a vila e o Atlântico.
A vista é especialmente impressionante quando observada de cima, permitindo perceber a dimensão do promontório e a forma como a Nazaré se desenvolveu entre a arriba e o mar.
O local está também associado à conhecida lenda de D. Fuas Roupinho e do milagre atribuído a Nossa Senhora da Nazaré.
Segundo a tradição, o cavaleiro terá sido impedido de cair pelo precipício quando perseguia um veado.
A marca associada à ferradura do cavalo pode ser observada junto à Ermida da Memória.

Palickap, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons
A pequena Ermida da Memória encontra-se junto ao Miradouro do Suberco.
É um dos lugares mais ligados à tradição religiosa e à lenda que está na origem do culto de Nossa Senhora da Nazaré.
Apesar das suas pequenas dimensões, a ermida ocupa um lugar importante na história e na identidade da vila.
Vale a pena entrar e observar os azulejos e elementos decorativos do interior.
Mais do que apenas um monumento, é uma peça fundamental para compreender a relação entre a Nazaré, o mar e a devoção religiosa.

Cristina Morettini 95, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons
Poucos metros acima do miradouro encontra-se o Santuário de Nossa Senhora da Nazaré.
O culto a Nossa Senhora da Nazaré está profundamente ligado à história do Sítio e à identidade da comunidade.
O santuário actual é um dos principais monumentos religiosos da vila e está associado às grandes celebrações que decorrem na Nazaré.
A história do culto remonta a tempos muito anteriores à construção do actual edifício e inclui vários espaços de veneração ao longo dos séculos.
Mesmo para quem não visita Nazaré por motivos religiosos, o santuário merece ser incluído no percurso pelo Sítio.

GualdimG, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons
O Forte de São Miguel Arcanjo é hoje um dos locais mais conhecidos de Nazaré.
A fortificação foi mandada construir em 1577, durante o reinado de D. Sebastião, para defesa da costa. Mais tarde foi reforçada durante o reinado de D. João IV.
Em 1903 foi instalado no forte um farol, que continua associado ao edifício.
A localização do forte tornou-o particularmente importante para observar as ondas da Praia do Norte.
Actualmente, o espaço alberga o Centro Interpretativo do Canhão da Nazaré e a Surfer Wall, com exposições dedicadas ao fenómeno das ondas gigantes e aos surfistas que enfrentaram algumas das maiores ondas da Praia do Norte.
É provavelmente o melhor lugar para compreender porque é que Nazaré se tornou uma referência mundial do surf de ondas grandes.

Luis Ascenso from Lisbon, Portugal, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons
A Praia do Norte é completamente diferente da praia urbana da Nazaré.
Localizada do outro lado do promontório, apresenta um ambiente mais selvagem, com dunas e vegetação natural.
O mar é habitualmente muito mais agreste e a praia não tem vigilância balnear, sendo desaconselhada para banhos em condições perigosas.
Mas é precisamente aqui que se formam as famosas ondas gigantes.
O fenómeno está relacionado com o Canhão da Nazaré, um enorme desfiladeiro submarino que influencia a propagação e concentração da ondulação junto à costa.
A dimensão das ondas tornou Nazaré um dos destinos mais conhecidos do mundo para o surf de ondas grandes.
As ondas gigantes são hoje uma das principais razões pelas quais visitantes de todo o mundo chegam à Nazaré.
Um dos momentos decisivos aconteceu em 2011, quando o surfista havaiano Garrett McNamara surfou uma onda estimada em cerca de 30 metros na Praia do Norte.
O feito ajudou a transformar Nazaré numa referência internacional do surf de ondas grandes.
Mas é importante perceber que as ondas gigantes não aparecem todos os dias.
Se pretende assistir a um grande swell, é necessário acompanhar as condições marítimas e meteorológicas.
Por isso, uma visita à Praia do Norte vale a pena mesmo quando não há ondas gigantes: o local e a paisagem são impressionantes por si só.
No Forte de São Miguel Arcanjo encontra-se o Centro Interpretativo do Canhão da Nazaré.
É particularmente interessante para quem quer compreender a ciência por trás das ondas gigantes.
A exposição explica a formação e as características do canhão submarino e a forma como este influencia a ondulação que chega à costa. Existe também uma componente científica associada ao Instituto Hidrográfico da Marinha Portuguesa.
É uma boa visita para fazer antes de observar a Praia do Norte, porque permite perceber aquilo que está a acontecer debaixo de água.
Também no Forte de São Miguel Arcanjo encontra-se a Surfer Wall.
O espaço apresenta pranchas utilizadas por surfistas em sessões memoráveis de ondas grandes, acompanhadas de informação sobre os atletas.
É uma paragem especialmente interessante para quem acompanha o surf, mas também para quem quer conhecer a história recente da Nazaré.
Para conhecer a Nazaré para além do surf, o Museu Dr. Joaquim Manso é uma visita importante.
O museu está dedicado à história, etnografia e tradições locais, ajudando a compreender a relação entre a comunidade e o mar.
Aqui pode conhecer melhor os costumes, a pesca e os elementos da cultura tradicional nazarena.
O Turismo de Portugal recomenda precisamente este museu para conhecer melhor as tradições da Nazaré.
A Pederneira é uma das zonas históricas da Nazaré e oferece uma perspectiva diferente sobre a vila.
A partir daqui existe um miradouro natural com vistas sobre a costa.
O percurso entre o Sítio e a Pederneira pode ser feito a pé, passando pelo Parque da Pedralva, para quem pretende transformar a visita num passeio mais longo.
É uma boa opção para quem já conheceu os locais mais turísticos e quer explorar um pouco mais da Nazaré.
Uma das melhores coisas para fazer na Nazaré é simplesmente caminhar.
As ruas que saem perpendicularmente da praia permitem descobrir uma vila muito diferente daquela que se vê apenas a partir do paredão.
Entre restaurantes, lojas, casas tradicionais e pequenos recantos, percebe-se melhor a relação da população com o mar.
Não tenha pressa.
Uma visita à Nazaré não precisa de ser uma corrida entre miradouros.
A ligação ao mar está presente em praticamente todos os aspectos da Nazaré.
A pesca, os barcos, as redes, os trajes tradicionais e a gastronomia fazem parte da identidade local.
As famosas sete saias das mulheres nazarenas são provavelmente o elemento mais reconhecido desta tradição.
Também a Arte Xávega, método tradicional de pesca com redes puxadas para terra, continua associada à cultura marítima local. O Turismo de Portugal destaca esta tradição particularmente nos meses de verão.
É esta dimensão cultural que faz com que Nazaré seja muito mais do que um destino de praia.
A gastronomia é uma parte fundamental da experiência.
Sendo uma vila piscatória, não é surpreendente que o peixe e o marisco tenham grande destaque.
Entre os pratos e produtos associados à gastronomia local encontram-se:
O peixe seco, visível em alguns pontos da vila, é uma das imagens mais características da gastronomia tradicional nazarena.
Para o Conhecer Portugal, este tema merece posteriormente um artigo próprio: “O que comer na Nazaré: pratos típicos e onde provar”.
Se tiver apenas um dia, recomendamos começar cedo.
Comece pelo:
Sítio → Miradouro do Suberco → Ermida da Memória → Santuário de Nossa Senhora da Nazaré → Forte de São Miguel Arcanjo → Praia do Norte
Reserve tempo para visitar o forte e conhecer o Centro Interpretativo e a Surfer Wall.
Desça até à vila e almoce junto à praia ou numa das ruas próximas.
Aproveite para experimentar peixe fresco ou outro prato tradicional.
Passeie pela:
Praia da Nazaré → zona do paredão → ruas tradicionais → Museu Dr. Joaquim Manso
Se ainda tiver tempo, siga para a Pederneira.
Regresse à praia para assistir ao pôr do sol.
Com dois dias pode conhecer a vila com muito mais calma.
Pode ainda utilizar o segundo dia para fazer um passeio pelos arredores.
Nazaré pode ser um destino interessante para famílias.
O ascensor é uma experiência que normalmente desperta a curiosidade das crianças, enquanto o Forte de São Miguel Arcanjo e as ondas gigantes tornam a visita particularmente visual.
Pode combinar:
É importante, contudo, ter atenção redobrada junto às arribas e respeitar sempre as zonas de segurança.
A Praia do Norte, em particular, não deve ser encarada como uma praia convencional para banhos.
Esta é uma das perguntas mais frequentes.
Não existe um dia fixo em que seja possível garantir ondas gigantes.
A formação destas ondas depende de uma combinação de condições marítimas e meteorológicas.
Por isso, se o objectivo principal da viagem for assistir às ondas grandes, deve consultar as previsões antes de viajar.
Mesmo assim, não recomendamos escolher Nazaré exclusivamente em função das ondas.
A vila tem património, praia, gastronomia e tradições suficientes para justificar uma visita durante todo o ano.
Nazaré pode ser visitada em qualquer época do ano, mas a experiência muda bastante conforme a estação.
Boa altura para explorar a vila e fazer passeios junto à costa, com menor movimento do que no verão.
É a época mais procurada para praia, com maior movimento na vila e na marginal.
São períodos interessantes para quem pretende tentar observar grandes ondulações na Praia do Norte.
No entanto, a ocorrência de ondas gigantes não pode ser garantida.
A Nazaré pode apresentar uma atmosfera completamente diferente, especialmente durante períodos de forte ondulação.
Para fotografia e paisagem, pode ser uma época particularmente interessante.
De carro, Nazaré é facilmente acessível através da A8, que liga Lisboa à região Oeste e a Leiria.
A partir de Lisboa, a viagem demora aproximadamente uma hora, dependendo do trânsito e do ponto de partida.
A partir do Porto, a viagem é mais longa, mas a Nazaré pode ser facilmente integrada numa road trip pelo Centro de Portugal.
Também existem ligações de autocarro.
Quem chega de comboio deve utilizar a estação de Valado dos Frades, localizada a cerca de 6 km da Nazaré, e depois continuar de autocarro ou táxi.
Para explorar apenas a vila, não é indispensável ter carro.
Para conhecer a costa e os destinos próximos, o automóvel torna-se bastante mais conveniente.
Para conhecer os principais pontos:
Meio dia: possível, mas demasiado curto para aproveitar a vila.
1 dia: suficiente para os principais pontos turísticos.
2 dias: a nossa recomendação para conhecer Nazaré com calma.
3 dias: ideal para combinar Nazaré com Alcobaça, São Martinho do Porto, Óbidos ou Peniche.
A localização da Nazaré é excelente para explorar outros destinos do Centro de Portugal.
O Mosteiro de Alcobaça fica a curta distância e é uma combinação natural com Nazaré.
Uma baía abrigada e uma excelente opção para complementar um dia de praia.
A vila medieval é outra das grandes referências da região e pode ser combinada facilmente com Nazaré.
Ideal para continuar pela costa e conhecer praias, falésias e o arquipélago das Berlengas.
Pode também ser incluída num roteiro mais abrangente pelo Centro de Portugal.
Uma opção interessante para quem está a construir um roteiro pelo interior da região.
Nazaré encaixa particularmente bem numa viagem de carro pelo Centro de Portugal.
Uma possível sequência seria:
Leiria → Batalha → Alcobaça → Nazaré → Óbidos → Peniche
Outra possibilidade:
Coimbra → Tomar → Batalha → Alcobaça → Nazaré → Óbidos
Desta forma consegue combinar património, cidades históricas, praias e gastronomia num único roteiro.
Mais tarde, estes percursos poderão ser desenvolvidos em artigos próprios sobre road trips pelo Centro de Portugal.
Sem dúvida.
Poucos destinos portugueses conseguem juntar numa área relativamente pequena uma praia tão característica, uma forte tradição piscatória, património religioso, miradouros impressionantes e um fenómeno natural que ganhou dimensão mundial.
O mais importante é não visitar Nazaré apenas para tirar uma fotografia das ondas.
Suba ao Sítio, conheça o Forte, percorra as ruas, descubra a história da comunidade piscatória, prove a gastronomia e reserve tempo para observar o mar.
É nessa combinação entre tradição e modernidade que está grande parte do encanto da Nazaré.
Nazaré é uma das principais paragens da nossa viagem pelo Centro de Portugal.
Se está a planear uma viagem pela região, consulte o nosso Guia Completo do Centro de Portugal para descobrir outros destinos, praias, aldeias, espaços naturais e sugestões de roteiros.
Neste cluster encontrará também:
Próximos artigos: Peniche, Tomar, Alcobaça, Batalha e Aveiro.
Os principais pontos são a Praia da Nazaré, o Sítio, Miradouro do Suberco, Ermida da Memória, Santuário de Nossa Senhora da Nazaré, Forte de São Miguel Arcanjo, Praia do Norte, Museu Dr. Joaquim Manso e Pederneira.
Um dia permite conhecer os principais pontos, mas dois dias são mais adequados para visitar a vila sem pressa.
Pode subir a pé ou utilizar o Ascensor da Nazaré, que liga a zona da praia ao Sítio.
O principal local de observação é a zona do Forte de São Miguel Arcanjo, junto à Praia do Norte. A ocorrência de ondas gigantes depende das condições do mar.
A Praia do Norte tem mar muito agreste e não tem vigilância balnear, pelo que não deve ser encarada como uma praia convencional para banhos.
O peixe e o marisco são protagonistas da gastronomia local. Entre os pratos associados à tradição encontram-se caldeirada, peixe grelhado, arroz de marisco, sopas de peixe, açorda e carapaus secos.
Sim. O inverno pode proporcionar uma experiência particularmente interessante, sobretudo para quem quer conhecer a vila com menos movimento e acompanhar possíveis períodos de grande ondulação.